segunda-feira, agosto 28, 2006

Lágrimas de um outro Deus

Aos mortos por fúteis razões
que desconhecem


Lá ao longe ouvem-se os gritos,
aqui perto as crianças choram,
no meio dos mortos
surge um Anjo que voa.

Abre as asas, rompe os medos,
e ergue a sua espada de sangue
contra todo e qualquer Deus…
Adeus! – ainda gritam corpos exangues.

Um olhar vazio fita-te,
acusa-te, de quê?
de estares vivo, de sorrires,
ou de ainda amares…

És tu o último de todos os carrascos.

Abre as asas e voa,
ergue a tua espada de sangue
contra os céus.
Já que morreram todos os Deuses,
clamas, agora,
pela morte dos Homens!

(Santarém 4/11/2001)

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