segunda-feira, agosto 28, 2006

Sinais de Fumo



Em fumo
perecem ideias vãs,
à minha vista
dores que não
sinto
nem ouço.

O fumo molda
os céus e o luar
e esqueço
lentamente o que
não era meu para
lembrar.

Não vejo,
nem ouço,
os tambores de festa,
não sinto o gosto
dos licores, do néctar
que essa alegria traz.

Com o fumo
desvanecem
olhares desatentos,
histórias de amor
que nunca acontecem
frases vãs...

Em fumo
transformaram-se
pensamentos, memórias,
momentos,
quais garrafas
de náufragos transeuntes.

O fumo embriaga-te,
queima-te por dentro,
se de fogo é tua alma,
de fumo é o sentimento.

A brisa apagou
a fogueira do olhar,
com um gesto
apagas, também tu,
esse último cigarro
e por fim
acabou-se.
Não há mais fumo!

(Póvoa da Isenta, 19/07/2000)
© Miguel Raimundo

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