Em fumo
perecem ideias vãs,
à minha vista
dores que não
sinto
nem ouço.
O fumo molda
os céus e o luar
e esqueço
lentamente o que
não era meu para
lembrar.
Não vejo,
nem ouço,
os tambores de festa,
não sinto o gosto
dos licores, do néctar
que essa alegria traz.
Com o fumo
desvanecem
olhares desatentos,
histórias de amor
que nunca acontecem
frases vãs...
Em fumo
transformaram-se
pensamentos, memórias,
momentos,
quais garrafas
de náufragos transeuntes.
O fumo embriaga-te,
queima-te por dentro,
se de fogo é tua alma,
de fumo é o sentimento.
A brisa apagou
a fogueira do olhar,
com um gesto
apagas, também tu,
esse último cigarro
e por fim
acabou-se.
Não há mais fumo!
(Póvoa da Isenta, 19/07/2000)
© Miguel Raimundo
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