segunda-feira, agosto 28, 2006

Sorrisos de Fumo

Do ritual permanece
o sorriso espectral do fumo
e o real desvaneceu-se
nas estórias inventadas
ou por inventar.

procurámos o elixir
do prazer,
para além do vinho,
para além do que o teu corpo tem para dar,
noites de alegria,
forjadas nas chamas,
no lume lento de sonhos
ou de outros fumos mais...

Sentes depois que tudo
se esboroa e regressas dessa
ilha encantada de delícias.
Já não há sorrisos,
nem fumos,
só as memórias de tantas outras
histórias por contar.

(Santarém, 25/12/2003)

Maio Ausente

Longe vão as memórias
desses tempos,
longe morreram os mártires,
dessas fés
e mais longe perecem as crenças
dos que crescem na ausência
do sangue dos vencidos.

Lutas Tu ainda? Dormindo aí
sozinho ao relento...
porquê? para quê?
Se o Maio
não existe nestas terras?

Gritas ainda contra os monstros,
porquê?
Se se calaram as bigornas
e já não haverá mais foices nas searas,
só o som de silêncio dos algozes.
Tombado, cansado e caído resistes ainda...
dizes Não!!!

E a resposta, para o bem e para o mal,
é a eterna acumulação de capital,
porque jamais houve Maio nestas terras!

(Coimbra, 7/12/2003)

(In)fidelidades

Nos trilhos da esperança
o que procuras, nesse caminho
ao ritmo da nossa dança?
ébrio de luz e de cor,
de paixão ou será de amor?
Quando depois da ressaca
e do lânguido levantar,
sabes que irás penar,
mas não te interessa,
não queres saber...
porque a esperança
e tudo mais acabará quando morreres.
Enquanto amanhã há sempre dança
haverá dias, horas de adormecer
ou tardes tristes para morrer.
Até manhã nesta dança,
ao ritmo de um novo prazer.

(Coimbra, 11/10/2003)

Portugal em sombras

I - Idade dos Pais

Alma cruel porque insistes,
em vãs vitórias,
em famas de outrora
e que conseguiste?

Dos montes e dos vales, ouvem-se vozes tristes
cantando teu Fado...
aos mortos por ti esventrados e
aos corpos exangues exumados,
de fogueiras vivas que à tua glória
se consagraram.

Vozes que ecoam no tempo da memória
a Ti te acusam,
dos medos e dos mundos que nos trouxeste.

Correste as sete partidas,
na esperança de um Mar,
soubeste fazer um barco, navegar.
Na fé que tinhas dos povos,
último rei de um mundo já o foste,
mas morrem ainda por lá os teus soldados.

II – Idade dos Filhos

Porque esperas que o cego
te dê o que já foi teu?
Nada te ensina
o caminho da morte
que percorres...?

No teu sangue,
ninguém vive, ninguém morre,
nem as nações que destruíste ou que criaste.
Nas tuas veias corre a poesia,
mas os Cravos que plantas na areia
(desta ocidental praia lusitana)
jamais partiram ou chegaram,
nem aquém, nem além da Taporbana.

Por te ocultas
em mitos e histórias de fadas
nem vives, nem nunca viverás!

E por isso foges do aqui
e do agora...
Do Quarto ao Terceiro, do Segundo ao Primeiro todos impérios
se desvanecem,
devorados em sangue, engolidos em carne viva
por esse ser estranho que é a História.
De que esperas para a Acontecer?

III – Idade dos Espectros

Na bruma e na névoa
sobram-nos mitos redivivos,
ficaram cadáveres semi-nus,
trazem respostas de papelão
ladainhas e mais sacas de carvão
há muitos fogos
para fazer antes que acordes.
Não te canses,
o destino espera-Te
e a morte sempre alcança essa espécie de Saudade.

Falta-nos a madeira ao veleiro,
pois que ainda saberás
o rumo da Nossa liberdade?


© Miguel Raimundo
(Viagem Coimbra-Santarém, Maio de 2001)

um novo Manifesto...

Manifesto anti W®INDOW®S!


In memoriam de José de Almada Negreiros,
“poeta d’Orpheu e tudo”,
à música e à poesia de José Mário Branco
e à simpatia do reggae dos Kussondolola.


O w®indow®s e o Dantas são irmãos,
A sua mãe foi
Meretriz da Babilónia
que se arrependeu
de ter emprenhado pelos ouvidos,
de mula...
ainda hoje está triste
porque o aborto é ilegal...

(à mãe do windós
não foi presa
porra nenhuma!!!)

Já deve haver bombas w® & w®s lda…
para fundamentalistas anabaptistas,
católicos,
islamitas,
budistas,
jainistas…
mais
anarquistas e
caóticos esquerdistas,
e direitolas tortos,
Papistas!?

Morra o w®indow®s morra o w®indow®s morra PIM
pim pam pum cada bala um!
É preciso a fusão nuclear a frio para acabar com a espécie deles w®’s.

Se há w®’s em portugês
Nós queremos escrever sânscrito
ou em mind’rico...
Não há W®rd em mind’rico,
nem em mirandês, nem em basco...
nem em galego...
nem em esperanto.
ou sei lá...,
nem em chinacabarquês!

Se o w®indow®s é terreno,
tragam-nos já a Jerusalém Celeste!
(aí Deus nosso senhor!)
Ou será que o Bill portões já vendeu as janelas a Deus?
Se o sistema informático do céu são janelas w®
queremos ir para os beirais do Inferno!!!
O w® é pior que os sete pecados mortais todos juntos...
o w® é pedófilo e subverte a juventude...
e ninguém lhe deu uma taça de cicuta.
Se o w® é doido libertem, pelos portões, todos os malucos!

Morra o w®indow®s morra o w®indow®s morra PIM
pim pam pum cada bala um!

Comparadas com w®, as sete pragas do Egipto são 1 mosquito!
... ou dois (jgjhghjghg00009 erro do Microsoft Windows).
O w® é a erosão que corrói as Pirâmides e a Civilização!

Se já exportaram o w®indow®s para a Lua
queremos viver em Plutão!
Se o futuro é o w®indow®s tragam-nos já o Fim dos Tempos!!!
Traga-se, de um só trago, o Apocalipse
servido com copos e travessas de prata w®
mais os vossos líricos w®,
os vossos profetas w®,
anjos de perdição informáticos,
dogmáticos!
E vós parváticos? Que fazeis?
Bateis palmas?
Já sois estado-unidenses é?
Já nasceram em Seattle é?
Já apoiam a desértica invasão do petróleo?!

Morra o w®indow®s morra o w®indow®s morra PIM
pim pam pum cada bala um...
Morra o w®indow®s morra o w®indow®s morra PIM
pim pam pum cada bala um!
... ou dois (jgjhghjghg00009 erro do Microsoft Windows).

As vossas teorias da conspiração w®
cheiram mal dos genitais...
tal qual os vossos Da Vinci’s
de pacotilha que tais!
O w® é pior que a gripe das aves,
que peste suína africana,
que a filoxera,
o w® mata mais gente, intelectualmente, que a heroína…
a cocaína e a erva fazem bem melhor...
Mais vale fumar nicotina
do que ter que dar no w® no ibm/pc…
O w® é a bela merda que se vê!!!

Morra o w®indow®s morra o w®indow®s morra PIM
pim pam pum cada bala um...
Morra o w®indow®s morra o w®indow®s morra PIM
pim pam pum cada bala um!
... ou três (jgjhghjghg00009 erro do Microsoft Windows)
que w® não é perfeito!

E depois vem o Sócrates
mais a sua corja de parvos
e vendem o futuro da nação ao w®
e aos portões e às janelas…
e vejam bem, por meia dúzia de tostões!!!
Que o bom português vende-se suave e barato!
Se Portugal é w® eu quero ser brasileiro...
O w® é cámone,
o w® é arraçado de cámone,
o w® é meio nazi,
e nem fascista consegue ser!
Ele é capitalista, ele é dialéctico,
ele é pseudo-marxista...

Morra o w®indow®s morra o w®indow®s morra PIM
pim pam pum cada bala um...
Morra o w®indow®s morra o w®indow®s morra PIM
pim pam pum cada bala um!
... ou quatro (jgjhghjghg00009 erro do Microsoft Windows)
f***-se. que é mais estúpido que é 1 porta,
que 2 portões, que 3 janelas,
que 4 billboys!!!!

Depois virão os cabrões de vindoros,
os moralistas
mais a mãe puta dos filósofos
e politicantes pós-modernos
a dizer com’ó Só- Ayres: é fixe! (o w®, bem entendido)
a dizer que as pastas w®
fazem bem aos olhos,
quiçá aos dentes,
e à saúde dos pés!
Certamente já haverá
aguardente w®
já há uísque w®
(que faz bem à cirrose)
e filós w®, qual mezinha para combater o cancro dos testículos!!!

Mas ninguém combate o vírus ideológico
que vos corrói a mente
seus pedantes
d’aquém e d’além Mar!
Meteis tanto nojo,
com os vossos cifrões,
neutrões, fotões e electrões
e o vosso capital electrónico
que pulula de cartão em cartão
(nesta pop-chula,)
e se acumula,
reproduz e se gere eternamente
e globalmente…
O vosso neo-capitalismo
é tão excremento que nem escatologia chega a ser!!!

Morra o w®indow®s morra o w®indow®s morra PIM
pim pam pum cada bala um...
Morra o w®indow®s morra o w®indow®s morra PIM
pim pam pum cada bala um!
... ou cinco (jgjhghjghg00009 erro do Microsoft Windows)
f***-se. que é mais estúpido que é uma porta,
que um portão, que uma janela,
ou que o vosso presidente-guru Brux, (01011019010 mais outro erro binário).

O Dantas e o w® são primos e irmãos
nasceram do casamento de um chacal com uma hiena,
e o seu tio-avô era ladrão...
tão ladrão que lhe chamavam Burguês!
Tão ladrão que lhe chamavam Sultão...
e era mameluco e eunuco
o pobre coitado!!!
O w® é o pai, o avô e a mãe dos sapiquê
o w® é bosta (com sotaque de Fêlipão)…
E neste Atavismo Global
qualquer dia a Via Láctea é marca registada w® ...
Oh não!
Então imigraremos para outra dimensão...

Morra o w®indow®s morra o w®indow®s morra PIM
pim pam pum cada bala um!
... ou seis (que grande Besta)!
Morra w®,
morra o Bill,
morra o Dantas!
(todos estes cheiram mal dos sovacos
porque usam w®)
morram PIMMMMMM
pim pam pum cada bala um!
morram OS PORTÕES!
morram as janelas de erros!
morra o w®!!!
MORRAM e ardam muito TEMPO nos esgotos do Inferno!....



© Raimundo Mazzorro
(poeta neo-futurista, tribalista do “novo Orpheu” e «tudo mais é com Deus»).

© Manuel Zebedeu
(poeta intra-surrealista da epistola sagrada de Bruges).

(Coimbra, 28/06/2006)

Sinais de Fumo



Em fumo
perecem ideias vãs,
à minha vista
dores que não
sinto
nem ouço.

O fumo molda
os céus e o luar
e esqueço
lentamente o que
não era meu para
lembrar.

Não vejo,
nem ouço,
os tambores de festa,
não sinto o gosto
dos licores, do néctar
que essa alegria traz.

Com o fumo
desvanecem
olhares desatentos,
histórias de amor
que nunca acontecem
frases vãs...

Em fumo
transformaram-se
pensamentos, memórias,
momentos,
quais garrafas
de náufragos transeuntes.

O fumo embriaga-te,
queima-te por dentro,
se de fogo é tua alma,
de fumo é o sentimento.

A brisa apagou
a fogueira do olhar,
com um gesto
apagas, também tu,
esse último cigarro
e por fim
acabou-se.
Não há mais fumo!

(Póvoa da Isenta, 19/07/2000)
© Miguel Raimundo

a amante de deus

puta de onde advém
a meretriz orgulhosa,
consciente da vontade de te Ter.
porque não sei quem És, nem para onde Vais,
com esses olhos encantados das histórias,
que eles me contam…
amo-te no momento em que me dou

ela entregou-se, como eu, à diligência vã
de noites e dias efémeros de um prazer total,
sabendo que a inocência de morrer é um segredo que se guarda no viver!!!

visceral e assassino o pecado que a castrou…
insinua-se
no mal ancestral que nos matou,
e nos dinheiros ou outros dizeres trazendo tão só a amargura.

algozes de capuzes negros,
hipócritas e cínicos perversos
de ofícios santos e diversos,
(menos o prazer brutal
de um deus normal!
e jamais um velho bruxo de pecado, culpa e redenção…)
entram no Albergue,
violaram-na, loucos demónios de sangue,
levam-na então ainda negra e carcomida,
Assembleia dos Justos, igreja dos puros,
o rabi belo e sedutor fala línguas novas só de Amor…

entregam-lhe à adúltera a seus pés,
e num segundo, noutra galáxia explode o mundo!
o jovem renuncia a seu Pai,
repudia qualquer deus ou demónio
e mergulha na paixão daqueles
olhos tristes de amarguras,
onde entrevê sentimentos doces das ternuras…

não perde a face divina de um Filho,
fala em pedras e pecado para a salvar,
com seu poder fatal de Homem e de Deus,
lembrando ânsias justas
de o Mal de s’Eus inimigos esventrar…
à garra homicida de um condenado à cruz,

à noite, depois da paixão daqueles olhos,
ele entrega-se a Maria e tudo é novo
nesse mundo do corpo e dos seus sentidos,
e nada mais daquilo que velhos sábios lhe ensinaram tem sequer nexo ou razão,
naqueles óleos de carícias,
renovas para a sempre toda Fé…
sem culpa, sem dor, sem perdão,

mas numa lógica brutal de sacrifício,
Tu, nazareno, traíste Judas e Madalena pelo
perdão infinito…
triste fica a moça esbelta quando morres no natal,
vai ela vagueando pelo mundo na penumbra da ausência
do menino enamorado e morto,
todas as noites de consoada
lembra-se da vil negação,
da mentira que perpassa o coração imaculado da amizade,
desse medroso Pedro que morreu da mesma forma ao inverso…

então sozinha, no escuro das lágrimas, jura perdão a Paulo
e á sua perfídia de carrasco neófito e ignorante do seu corpo…
(estranho antagonista da carne,
lembra-se da sua inglória morte às mãos do fanático
apóstolo do pecado ou da redenção?)
recorda o triste e mendigo santo
no seu céu de masturbação com culpa!

olha então de novo a sua vulva,
bela e lembra-se da dele que era mesma que agora vê,
sente do prazer de ter Jesus,
na sua cama, no segredo da alcova
que é Sagrada por íntima
que é santa e virginal,
pelo uso que tem, pelo prazer que lhe traz

(e porque nunca houve imaculada Conceição,
já que o filho do Nazareno
se juntou a Maomé
e a paz fundamental
chamou-se Islão…)

Magdla lembra Maria sua, (ou nossa) mãe,
sabe então que morte não triunfa e lembra-se
do tempo antes do divórcio, onde tudo era tão bom
como a Maça que se derrete numa boca de uns lábios volumosos…
e chora as saudades eternas do seu Anjo incolor

então deus abandonado à solidão eterna
lembra-se do seu filho de pecado,
quando por desejo, por sua luxúria
violou Maria com um anjo, enganou José com um sonho e traiu a morte numa cruz…
abandonou seu Filho único no deserto
e como louco fugiu para longe da Inquisição…
ardeu mil vezes num espeto
fez trinta demónios e insuflou sete anjos,
e depois? e Jesus?

por onde anda disfarçado
de pomba ou de sável? na Índia?
esse velho deus bíblico
viu lá longe o seu filho morto..
(depois de ressuscitar, a morte é impossível de salvar…)
agarrou corpo morto da criança faminta
o beijou por amor, por desejo antes da fé…
Iscariotes, por vingança de uma oliveira,
ganhou asas de anjo terrível
e matou esse Deus do pecado, essa Besta do sangue,
que serve o Diabo, velho, triste e acorrentado
com o traiçoeiro Jeová no Tártaro da prisão.
porque quem criou o Mundo para a fome,
e a vida para o mal,
merece todas sete pragas sobre o Nilo
e
muito pior anátema que maldição dos Bórgias a penar…

Aton deus simpático como o Sol
engoliu os outros e salvou o deus
de Moisés, de David e dos profetas…
- porque matas…Pai? Por inventaste a morte e a solidão?
pergunta um cristo de perdão,
deus pequenino pede desculpa…

não me mates mais filho… por favor…
não me faças como Zeus fez a Cronos,
nessa luta de tempo e deuses absoluta,
ganham os homens porque morrem se quiserem…
já que o tédio imortal me persegue.
Confesso dormi com tua mãe na mesma cama.. 

e para a possuir menti juras de Amor…
então nasceste e resolvi matar-te logo…
para ninguém visse os meu pecados,
mandei os magos a Herodes…
e os inocentes reinventaram minha traição ao Homem..

confesso sou cruel e inútil deus de Israel, 
sou ciumento, sou bruto e nos Homens vejo meus pecados, 
aplaco a minha dor...


eu perdoo-te por seu teu Filho… 
e Maria por te amou naquela cópula brutal?
e José, meu pai, que é feito de José?

então o carpinteiro do amor
que tudo dá e não se lembra de receber…
Beja na face esquerda o seu traidor…
e deus morre, por inteiro na sua própria dor.

a amante de desse Deus,
Maria Nazarena vem mostrar
aos mortais a explosão das estrelas,
as danças dos astros…

e a outra amante de tal Filho do Homem
vive com ele na Páscoa e
nos tempos livres da Quaresma…


(Santarém, 25/12/2005)

Lágrimas de um outro Deus

Aos mortos por fúteis razões
que desconhecem


Lá ao longe ouvem-se os gritos,
aqui perto as crianças choram,
no meio dos mortos
surge um Anjo que voa.

Abre as asas, rompe os medos,
e ergue a sua espada de sangue
contra todo e qualquer Deus…
Adeus! – ainda gritam corpos exangues.

Um olhar vazio fita-te,
acusa-te, de quê?
de estares vivo, de sorrires,
ou de ainda amares…

És tu o último de todos os carrascos.

Abre as asas e voa,
ergue a tua espada de sangue
contra os céus.
Já que morreram todos os Deuses,
clamas, agora,
pela morte dos Homens!

(Santarém 4/11/2001)