terça-feira, junho 05, 2012

Ideal das mãos livres


À luz de uma vela que se esgota
sentes que este é o tempo falado por Salomão,
de pegar em armas contra os tiranos
e ir construir novos homens, pela contínua evolução.

Não temes o sangue, temes só a morte vã de um teu irmão.
É o tempo de transformar em armas nossas palavras,
nossos gestos ou velhos abraços, lutando pelo Mundo Novo,
com voz de povo, com paz no coração...

é tempo de reinventar, fazer como no Islão.
Criar de mãos vazias nossa encantada revolução
é bem tempo de sonhar e, sobretudo, tempo de dizer: não!

O verbo é a nossa força, dos poucos soldados faremos multidão,
só podemos triunfar nesta luta sem idade,
por casa, por paz, por pão... e pelo ideal maior de liberdade.

por Miguel Raimundo


Santarém,22/12/2011 (19h45)


segunda-feira, abril 09, 2012

Saudação à Greve Geral

Camaradas unidos jamais seremos vencidos,
gritemos de novo a nossa oração,
em prol do presente e dos filhos que aqui estão,
cantemos de novo contra a opressão.

O caminho é tranquilo, a luta traz a solução
a greve é nossa arma e tem de geral
tem de ser sem tempo e de verdade nacional,
temos parar um momento, todos sem excepção, pensar que em cada cidadão

nós temos um irmão. Em cada trabalhador
há um desejo comum de uma vida melhor.
por isso faz greve: na vida árdua, no trabalho, na manifestação...

contesta a injustiça desta nossa condição.
Onde está a crise dos que nos roubam milhões à hora? Essa é questão brutal,
sem qualquer resposta, nem a das leis do Capital.


RM
22/03/2012, Santarém/Lisboa

sexta-feira, março 02, 2012

saudades do Ribatejo


Nestas ruas, nestas vielas
existe a sombra do que fui,
um ser antigo que procuro
na senda do meu sabor a terra.

Encanta-me esta Salvaterra,
será dos seus modos simples?
Misturo-me na singela sabedoria,
das ruas estreias.
Encanta-me esta Salvaterra,
será um fado dos magos das velhas lendas?
ou tão simples alento
destas estórias  que vivem, ainda, aqui com suas gentes?

Respiro neste além do Tejo
o mesmo ar bravio dos toiros,
me vejo correndo livre sob o mesmo sol

é a largueza da campina
junto ao rio  que me fascina
com feitiço das memórias.
Será pelo tamanho de uma alma
ou pela sinceridade de sua beleza
que se medem os homens?



por Miguel Raimundo
22/12/2011 (16h30)
Viagem Salvaterra de Magos/Santarém, Paul de Magos


Imagem:
A Lezíria do Tejo 
© Joaquim Leitão



sexta-feira, fevereiro 17, 2012

três quilos de erva boa com dose e meia de poesia.


a todos os injustiçados apodados de "correios de droga"

Eras Sara e sorte, alegria de traquinas,
e por nome de pai te chamaram Norte.

Do tempo dos sorrisos,
na caixa do fazer de conta,
ninguém se lembra ou quer pensar,
são os fariseus do prozac
que a primeira pedra te vão atirar.

Deixaste teu mister,
de fazer rir e de querer sonhar,
por outros velhos negócios, talvez,
fosse por sorte ou por azar.

Prendem-te em terra estranha,
com o crime de trazer luar,
aceitas tuas algemas
e ninguém te as sabe protestar!

Pior que ópio da papoila é a doença alma!
A droga da alegria, a verde maconha dos montes,
vale mais que qualquer "tia"
sem verdade, sem horizontes.

No ópio de cada dia, este povo insano,
"curte suas mocas", entre as "trocas e baldrocas"
dos que vendem a alma ao capital,
salvemos a liberdade: fumemos pela verdade!


RM
Santarém, 17/02/2012, 7h12

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Saudade da cumplicidade dos sorrisos (ou As máscaras de cada dia)



Éramos jovens, rebeldes porventura,
tomávamos ópio e outras drogas para sorrir,
entretendo a vacuidade do Ser.
Nesses néctares todos do mundo,
na embriaguez da nossa alma,
procurávamos um prazer alto e profundo,
tão certo como o sentir dos poetas, tão fatal como a verdade,
sem quaisquer cedências a saberes antigos ou à sensata calma.

Sem amo, sem lei, sem regras
a amizade fluía no tempo eterno
do segredo da partilha,
entre corpos unidos no suor,
entre copos bebidos com clamor,
ficaram glórias nossas,
memórias sagradas que nem sabemos contar.

Passou essa Era das Estórias,
das rodas na taberna e da cor das amizades.
Evolou-se em baforadas a época de tais fumos
de charros bem enrolados sobre vãs glórias
de o fazer, entre outras fábulas e outros heróis.
Sumiram-se, no jade frio de nossas máscaras, os sorrisos cúmplices,
esqueceram-se noitadas de académico labor,
ou de outras faculdades, que uns tomam por luxúria e outros sabem puro amor.

Agora que crescemos a nossa droga é o tédio,
servida em pequenas doses de comprimidos para dormir.
Se antes buscávamos o prazer, agora queremos não pensar, nem sentir...
Engolimos estes analgésicos para o espírito,
sem cuidar na nossa alma, para irmos morrendo devagar
entre saberes antigos, com sensatez e calma,
feitos de medicamento com rotinas diárias,
sem Vontade, sem qualquer Mistério para o porquê de existir!?

Crescer neste "mundo dos senhores",
com estes falsos deuses das ciências,
com torturas, com horrores,
é aprender a hipocrisia,
das Máscaras de Cada Dia.
Crescer assim, é ser douto no velhaco evangelho antigo:
"odeia o próximo como a ti mesmo,
nada estimes para além das riquezas que acumules".

(No escuro, em momentos ténues,
entre o Natal e o meio dia,
assalta-nos a esperança:
porque não resgatar essa alegria?
Porque não voltar a esse sorriso de outrora
que nos insuflava de vida e do prazer do agora?
Para quando rasgarmos as máscaras?
Para quando de novo proclamarmos,
por cada um, por todos, o prazer por liberdade?)


@ Miguel Raimundo, 26/12/2011 (?h??) e 13/02/2012 (22h18)

Imagem retirada de:

domingo, janeiro 22, 2012

Revolta de acordar

(I)

A revolta contra a banca
é uma revolta do povo
a revolta sobre a banca
é acreditar que o Mundo é novo!

Oh banqueiro meu irmão
vem aqui comer meu pão,
que este pão que amassei
é para mim e para o rei...

é para mim é para o rei.
é p'ra quem quiser comer,
este pão que amassei,
não é de comprar, nem de vender.

Que este trabalho que tenho
é de Deus e do Diabo,
mais vale lhes vender a alma,
do que ao banco e ao mercado.

Este pão bem amassado,
é liberdade cereal,
será uma revolta eterna
para acordar Portugal!


(II)

Para acordar Portugal
para levantar o mundo inteiro,
este pão que eu amassei
não se vende por dinheiro.

A revolta que procuro
não tem valor de mercado,
queremos resgatar o futuro,
e viver livres ao fim ao cabo.

A nossa revolta é o trabalho
e o pão de cada dia
a vitória será nossa
por nossas mãos, por nossa alegria.


por Raimundo Mazorro
Viagem Santarém/Chios, 19/01/2012 a 22/01/2012, ?h??




terça-feira, janeiro 17, 2012

Um poeta transparente (noutros mitos de Pessoa)

Tudo o que faço ou medito, 
se queda pela metade. 
Querendo, quero o infinito.
Fazendo nada é verdade...*

Oiço a voz do Universo,
leio profetas e astros,
sei a escrita das estrelas
e navegar com vários mastros.

Faço amores, escrevo poemas,
mas para ficar bem contente,
bebo delitros de aguardente.

Tudo o que faço é poesia,
criando mitos e nada.
Sou o monstro da alegria,
sou o calor da geada.

Fui um poeta transparente,
a beber café na esplanada.
Meu nome era Fernando,
mas como vivia entre a gente,
hoje chamam-me Pessoa.

18/01/2012
(Viagem Salvaterra de Magos/ Santarém)
© Miguel Raimundo

* Fernando Pessoa, "Tudo o que faço ou medito".

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Um país por inventar (ou "Portugal como futuro")


Na encruzilhada do amanhã fica a resposta, 
se havemos de aqui ficar sob a borrasca
ou partir, como outrora, tendo o sol por horizonte.
(Nós, filhos mudos dos cravos por plantar.)

Quais Colombos, velhos lacraus, souberam manobrar
mundos e fundos, cheios de manhas, para nos enlear, 
traíndo nosso povo, por pouco mais de trinta dinheiros, 
sobre nós impõem a canga e os grilhões dos escravos que libertámos. 

Da Europa, ensinou-nos o Pessoa, somos tão-só o olhar,
sobram em nós mundos sem fundo entre o aquém e o além dor
sabermos ainda o caminho para além deste, daquele
ou de um qualquer outro Bojador?

Somos os olhos das crianças acercando-se do luar. 
Em nosso sangue vivem gritos dos mortos
à mercê da roda do progresso,
em nossa alma permanece a esperança etérea da Idade da Paz.

Entre o Ir e o Voltar, ouve-se sempre a memória 
dos filhos sem pai, das mães sem menino para afagar,
somos nossa Saudade eterna, forjada no fogo sem fim da viagem.
Estamos sempre de malas preparadas, à espera da hora certa para "dar o salto",
à espera do dia certo (que nunca vem) para escolher o barco.

Vagueia a alma portuguesa nos nossos rios ausentes,
(agora que nem somos um país)
Ouvindo-se entre a neblina, o sussurro antigo
do "nosso senhor dos profetas": vós pertenceis ao Mar!

Nestes montes e vales, nestas vilas e cidades, 
perpassam-nos murmúrios da vontade de partir, 
com medo, entredentes, alguns fantasmas gritam, 
talvez insanos, a esperança de ficar,
Deste modo vário, sem se saber porquê, 
vive nos corações da nossa gente
um não sei quê de Portugal, 
quase como certeza de um outro país por inventar.


Santarém, 05/01/2012 - 17h/18h
© Miguel Raimundo 

domingo, dezembro 25, 2011

Memória e vida


a José Gomes Raimundo 
com saudades

Olhei as nuvens
e estavas lá
longe dos prantos,
para além da dor.

Espreitei o céu
estavas entre as nuvens.
Aí se via o teu
sorriso matreiro. D
e soslaio, no horizonte,
a tua gargalhada sonora
ecoava nos montes, anunciando
chuva.

Nas sombras e nas árvores
ainda sinto o teu pregão,
de jeito descontraído,
com entertinhas as freguesas;
"- Oh menina veja lá...
Não quer mais nada?
Que tal esta fruta da época?
Que tal esta jarra antiquada?"

Olhei, mas já te perdia,
regressado ao acalento da dor,
de novo levantando a cabeça
para além vida fugidia,
bem ao longe (ou ao perto desses cedros)
ainda te ouvia a pergunta costumeira :
"- Então Zé... quando te casas? Quando será?"

Miguel Raimundo
Romeira, 5/11/2009 (13h05)

terça-feira, novembro 22, 2011

o tropor das horas mortas


sorrateiro e discreto
o cansaço invade os teus dias,
domina o teu corpo,
e parece trazer consigo
a semente de um mal antigo.

subitamente ficas sem vontade
e moves-te só com ânsias secretas
de horas de prostração num qualquer
leito, com qualquer companhia...


tal como o ópio esta fadiga enebria
teus sentidos perturbando razão.
se fosse apenas sono
trazia sonhos no regaço,
mas este tropor das horas mortas
é o vazio
que sobra do cansaço.


(04h30) 19/05/2011, Santarém
© Miguel Raimundo

sábado, outubro 29, 2011

Ousadias ou Da sabedoria das vidas narradas




A tod@s os colegas, amigos e adultos do CNO/ISLA
A todos os que vão agarrando novas oportunidades

Desfrutar esta memória sem a trair,
saber-me dividir
entre tantos e tantas,
saber-me repartir.


Descobrir estas virtudes
para além de mim, para lá de ti, 
(por fora da verdade dos sábios)
saber guardar como nossa esta vitória
no regaço da tormenta,
ancorar veleiro na memória, 
enfrentado as ondas do provir,
com olhar matreiro e a cabeça atenta. 


Fazer de cada perda uma raíz*
como a canção das promessas sempre quis. 
Trazer aqui sabedoria dos avós,
o correr de todas estas horas,
a dor de quando estamos sós,
as alegrias do parto,
enfim o sabor dias, 
fazendo dessa vida inteira a nossa Escola.


Este é um triunfo do povo,
que não nos podem roubar!
Este é um saber todo novo
nosso e ainda por desbravar.
Estas são palavras para sempre, 
trazendo à vida a nossa gente
numa oportunidade de suor, 
que durou a vida toda a labutar! 


Vamos, sempre pé ante pé, pelo caminho do futuro!
Somos nós a sageza, somos nós a sensatez..., 
Nem dos sábios de aluguer, nem dos arautos do poder 
tememos a firmeza, da decisão dura, da facada brutal, 
dessa crapulosa ignorância, que nos condena à treva e ao final.
Somos nós o futuro, somos nós a esperança,
da certeza destes homens e mulheres que depois da tempestade 
souberam, queda a queda, reinventar a bonança. 


Até amanhã noutra idade,
neste ou naquele caminho, agarremos com ganas
qualquer nova oportunidade. 


*em "Ser solidário", canção e letra de José Mário Branco

por Miguel Raimundo, 
03h15, 29/10/2011
Santarém

segunda-feira, outubro 17, 2011

Ideal Pequeno Burguês (ou das Classes Médias)



Estou doente, doente na alma,
bebendo um vinho velho
que me doí nos ossos.
Olho à volta o mundo do homens
onde só enxergo destroços.

Estou doente, doem as ideias.
Aqueço, com mel, chá de cidreira
para afastar o fel da melancolia.
A bebida quente só me traz a dormência
e o crescer deste vazio, desta tamanha ausência.

Estou por fazer, sinto-me com a força do mundo
e incapaz de acontecer.
Onde estão as florestas virgens por desflorar?
Quais serão minhas Mensagens por escrever?

Há tanto que fazer, tanto por destruir e tudo por recomeçar! 
Porque me faltam as mãos?
Porque ficam meus irmãos quietos neste tédio,
nesta modorra de escravidão...?
Sou um que encerra muitos, sou mais que Legião,
sou germe de liberdade, quero ser rEvolução!

Procuro, à luz negra de teu olhar, ideologias por nascer, 
e quedo-me neste lânguido declamar
de uma doença eterna, tanto minha como da humanidade,
é um mal que nos tolda o vigor e nos afecta a vontade.

Estou doente,
que façam os outros as revoluções.
Eu vou acabar o meu chá quente.  


Imagem:
After Breakfast
Elin Danielson-Gambogi 
Óleo sobre tela, Século XIX
© Miguel Raimundo
Santarém, 10/10/2011,(21h27)



segunda-feira, outubro 10, 2011

Andanças




Com memórias e com histórias diversas
segues caminho entre montes,
no espaço que subjaz
daquela terra a esta
fica a rota que tomaste.

Sob as colinas do carreiro
afastas folhagens de eucalipto e lá vislumbras,
junto ao azul do horizonte,
as chaminés de mais outra aldeia
onde habitam os mortais.

Tua vontade não é a de chegar,
nem de aportar a qualquer lado,
não procuras partidas, nem chegadas
e cada vida em ti é uma passagem.
Tua sina é o caminho.

És tão só viandante,
vais daqui acolá, daquém além,
e daí para outro lado...
Chegas a "cascos de rolha"
e até onde Judas se perdeu.

Tua grandeza é essa:
uma viagem perene.
Tua tristeza é igual,
tão vasta como o horizonte.


por Miguel Raimundo
Balancho (Carvoeiro, Mação)
07/08/2011, (23h50) 

Imagem:
Caminho  entre Balancho e Frei João
Marina Bragança, 
Fevereiro 2010

domingo, setembro 11, 2011

Eram 11 dias em Setembro




aqui, bem na esquina do século,
está a morte.

"Sou o deus de muitos braços,
o destruidor de mundos"
- começa a perorar o vulto sinistro.

"Vinha trazer discórdia,
semear a fome, a dor,
a guerra e o caos.
Trazia comigo algozes,
seres fantásticos e letais:
o basilisco, a esfinge, o dragão,
rescrevi feitiços velhos,
instiguei bruxas, ogres e uma ou outra maldição.
Erguendo bem alto o meu ceptro
entendi rasgar os céus invocando tempestades
para com tais tormentas agitar os mares,
sacudir a terra e derrubar cidades.

"Se bem me lembro,
cheguei aqui
eram onze dias em Setembro,
com deslento compreendi,
não ter lugar no mundo dos homens.
Em vez de medo e de dor
todos me acalentaram,
como nas guerras antigas,
para minha surpresa e temor,
saudavam com vivas a Morte!
Com sangue se paga o sangue,
é a lei destes tempos,
porque da raiva se bebe a vingança,
sem piedade alguma, sem quaisquer lamentos.
Nesta aldeia dos homens,
todos me queriam para si,
abraçavam a morte numa última dança."

"Fui embora.
Nenhuma das minhas penas,
nenhuma das minha bestas,
nem sequer os meu anátemas
poderão superar em maldade,
em guerra ou em pavor,
os saberes destes mortais,
nem a morte poderia extinguir a verdade,
ou infligir mais dor,
como no quotidiano dos dias,
entre fomes e terrores
aqui na cidade dos homens,
onde está ausente o amor."



por Miguel Raimundo
11/09/2011
Viagem Braga/Santarém (16h09) 

imagem
www.globalsecurity.org





quarta-feira, agosto 24, 2011

O café do Irlandês


A madeira das cadeiras,
os tampos de mármore sobre as mesas
recordam-se dos "copos de três"
e do "café com cheirinho",
antes do aroma a cevada ocupar
este lugar.

Na aldeia junto ao Mar,
o velho tasco é agora, como vês,
o café do Irlandês!

Aqui o "vinho carrasco"
deu lugar ao "puro malte"
e um fado mal cantado,
virou folclore celta
ou música mexicana,
que este café do Irlandês
é quase "a casa da Joana"
(aqui cabe o mundo e a aldeia.)

Junto ao balcão,
em castelhano bebem-se caipirinhas,
em francês sorvem os mojitos,
por entre o cheirinho da hortelã,
em sotaque carregado dessa pronúncia do norte,
alguém pede um cimbalino,
para confusão do taberneiro,
que vai gabando a sua sorte.

No Café do Irlandês
ainda se trocam as cartas,
entre o uno e a sueca,
qualquer um pode jogar...
Por aqui passa o rapaz de portátil,
navegando no virtual,
ou senhor sisudo levando de braçado o jornal,
que este pub, como vês, é a aldeia e é global!

Entre o novo e o velho,
bebo cerveja sabe-me a luar,
amargado com vestígios de sonho,
aqui sob a Caravela,
a Oeste, ao pé do Mar.


© Miguel Raimundo  

Foz do Arelho, 11/07/2011, 23h45




Imagem:  © Wikipedia
Irish Pub, Cracóvia, Polónia, 
Foto:  Jongleur100

terça-feira, julho 26, 2011

O asfalto e o destino

o asfalto faz tua rota,
terás por caminho
outro futuro,
outro amanhã.


teu destino faz o caminho, 
sob esta estrada larga 
e sinuosa
o sol desce intraquilo, 
num lento esgar laranja,
como que ameaçando nunca voltar.


neste crespúsculo dos dias
continuas vagueando entre trilhos,
entre promessas, entre sonhos vagos,
sob a linha do horizonte.


por Miguel Raimundo

25/07/2011, 21h05, 
viagem Apliarça/Santarém

imagem de:

sexta-feira, julho 08, 2011

Desvios

no trilho fica a
vontade de lá ir,
a tal lugar
que apenas pode ser,
ou até nem aí estar.

são sombras e são voragens
são tentações de passagem
as maçãs de caminho.

por Miguel Raimundo
viagem Coimbra/Santarém, 
07/07/2011, 16h15

quinta-feira, julho 07, 2011

Entrevista de Miguel Raimundo ao "Paraíso Biblioteca"



Amigos, camaradas das encruzilhadas da vida,  leitores convido-vos a ler a minha entrevista ao blog ""Paraíso Biblioteca"... e, para quem ainda não sabia, a conhecer um novo espaço onde de letras, de leituras, de livro e de escritores onde o paraíso tem a forma de biblioteca. 

Eu escrevo como quem desabafa. Para além da necessidade primordial de contar histórias, à qual nunca consigo fugir, escrever é desabafar, sem nunca ter bem a certeza de quem é o ouvinte ou sequer se há ouvinte. A escrita procura os outros, é uma partilha. Há na escrita uma necessidade fundamental de leitura, uma necessidade intrínseca ao acto criador, ou melhor, ao acto perguntador. Assim, ao escrever procuramo-nos continuamente uns aos outros. Parafraseando o músico Fausto: “não escrevo porque sonho, escrevo porque é real”!   
Miguel Raimundo
Vejam a entrevista completa em:
http://paraisobiblioteca.blogs.sapo.pt/16717.html


na imagem:
escultura "O pensador" de A. Rodin

quinta-feira, junho 23, 2011

Poema imprefeito das viagens


A viagem é transparência,
é troca com ofertas
entre mortais.
a viagem traz-nos uma certa ausência

de qualquer coisa que se busca
e se encontra jamais.

A viagem é um crepúsculo,
não é dia nem é noite,

é um estar aqui entre nós
mas nunca de corpo inteiro.
(tal como estou contigo a sós).

A viagem é desencontro
entre existências profanas,
outra vezes, é ponte de encontro
entre vontades insanas.


© Miguel Raimundo 


Madrid (Café Central)
30/Abril/2011, 18h00

Imagem:
Le Blanc-seing  óleo sobre tela de  René Magritte (1965)

sexta-feira, junho 03, 2011

o florir da Nostalgia

a Francçoise Hardy

No banco de jardim,
eles se amam
num momemto eterno.

Naqueles beijos
de paixão inconsequente
até cabe um universo em expansão.
Pelas frestas da janela
entrevês o gentil afago
dos cabelos...,
e, agora, pões te a espreitar,
com um sorriso matereiro,
o beijo roubado.


Suspiras por momentos de adolescer,
entre bancos de jardim, entre as esquinas do tempo,
soçobram vontades,
amadurecem, com teu copo de vinho velho,
as saudades.

por Miguel Raimundo

Santarém (perto da Sé),
26/05/2011, 00h13  


Fotografia por Marina Bragança, 2011
Roseiral do Jardins do Bom Retiro (Madrid)