sexta-feira, outubro 25, 2013

flores secas


as promessas
que ficam pela metade,
os amores que 
ficaram por fazer,
os livros
que nunca acabarás
de ler
e todas as outras 
estórias por escerver
estão ali
atrás daquela esquina, 
numa das dobras do tempo.

nesse lugar,
vivem esquecidos
outros sonhos e
aventuras,
velhos segredos 
e ternuras
que nunca deixas
de sentir. 

são flores mortas,
sagradas pelo luar, 
enfeitiçadas pelas bruxas, 
marcando, como folhas secas, 
as páginas da tua vida. 

ilustração:
Autumn Leaves
de John Evert Millais
1856

poema por:
 Miguel Raimundo
19/02/2011, (23h54),
Santarém

domingo, outubro 13, 2013

Estradas rumo ao Sul

Como o voo dos pássaros
partimos rumo ao Sul,
ensombrados por promesas,
empurrados pelo vento suão.

Nestas terras de velhas amarguras,
sob o sol puro,
o ar quente custa a respirar.
Nos caminhos encharcados de arvoredos
encontramos praias de encantar,
esquecemos temores ou medos
engraçando nestes tempos de gozar
em funestas ou efémeras aventuras.

Vaguemos, intraquilos,
como a brisa,
que ao de leve, invade tarde
junto ao mar.
Sabemos por antemão
que outro destino temos,
para além de tardes quentes
e de tempos folgar.
Fiquemos por agora entre sossegos
gozando o sol que põe
nestas estradas rumando
ao Sul.

por Miguel Raimudo
Almograve, 22h15, 30/06/2013

sexta-feira, setembro 06, 2013

«a conta se faz favor...»

            As luzes de néon foram-se desligando e o dono do café olhava para a mesa do fundo pensando reticenteDeveria pedir-lhe que saísse? Bem, sempre eram quatro horas da manhã e deveria ter fechado às duas... Porque é que aquele estranho e macambúzio personagem simplesmente não pagava e se ia embora? Faltava-lhe coragem, ou melhor, coragem talvez até não fosse a palavra certa. Não era capaz de mandar homem sair. Porquê? Não sabia… mas a ideia de pedir a um cliente que se fosse embora parecia-lhe como que contraproducente, era quase como matar a galinha dos ovos de ouro. Esta metáfora já era, sem dúvida, fantasia a mais, mas era a imagem que lhe surgia na mente sempre que se tentava convencer a mandar alguém embora.
            Apenas duas únicas pessoas existiam ali: ele e o misantropo cliente. Os empregados haviam saído há muito, até as cadeiras já estavam de pernas para o ar em cima das mesas, excepto…, claro, a do fundo. Nessa, o estranho cliente bebia, há duas hora e meia, calma e languidamente, o seu Bloody Mary. Talvez recordando a rainha que emprestou o nome a tão famosa bebida.
            Tornava-se forçoso agir. E se polícia ali passasse? Não seria a primeira multa. Arriscar-se-ia a perder a licença? Apesar de o café ser um passatempo de fim-de-semana, não queria ter de o abandonar. No entanto, pura e simplesmente, não era capaz de se aproximar do homem e dizer-lhe: — Saia, por favor, temos de fechar! — Se ao menos ainda tivesse um dos dois empregados em quem delegar a tão nefasta tarefa.
            O homem da mesa do fundo acendeu mais um cigarro e colocou o maço em cima da mesa, como quem se prepara para ficar. Os gestos dele reflectiam tal naturalidade que parceria ser do mais trivial, estar ali às quatro e meia da manhã a fumar, tranquilamente, num café deserto. Era inútil para o dono tentar convencer-se a fazer alguma coisa e os minutos não paravam, não esperavam... Tiquetaque, tiquetaque, que barulho infernal! E já cinco horas certas marcavam os ponteiros... Cinco e meia da manhã, tiquetaque, tiquetaque, seis da manhã… já não aguentava de sono queria ir para casa. Ir para casa, contudo, significava uma hora de carro, para além disso esse almejado amanhã era segunda-feira e tinha de acordar às nove. Aproximou da mesa do fundo, balbuciando:
            — Olhe, não que eu o queira mandar embora... Mas isto era para fechar às duas… E não sei está ver já são seis...
            — Compreendo, perfeitamente, estava apenas à espera que me pedisse para sair. Olhe, já agora, era conta se faz favor.  

  
© Miguel Raimundo & RELER
23 de Março 1999, 00h40

Santarém

publicado originalmente em: 
RELER – Revista dos Estudantes da Faculdade de Letras, n.º 4, Maio de 2004; 

domingo, junho 02, 2013

Viagens fora de mão

No caminho, neste asfalto,
viste o sol iluminar-te
trazendo no regaço destinos
ora vida e de sorte,
ora de azar ou de morte.

A máquina benfazeja,
nas mãos de seres bestiais
transforma-se em monstro de metal
sedento de sangue e de desgraças.

Segues tranquilo tua viagem perigosa,
não fora tais transeuntes
e suas decisões fatais...
O sol alumia a estrada,
oxalá sirva de oráculo de sensatez
entre mortais.


Viagem Salvaterra de Magos/Santarém
20/09/2011 (17h11)

terça-feira, março 19, 2013

Santarém entre memórias


Santarém menina e moça,
cidade plena de encanto,
guardiã de nossa história
plasmada na memória,
que se esconde em cada canto.

Tudo poderá começar
por Abidis aqui aportado,
que junto a cria de veado
encontrou o seu manjar.
Mas dizem os mais sabidos
que Fenícios nos tempos idos
já conheciam este lugar,
tido por seio da deusa Anta,
a que faz os campos fecundar

Neste egrégio planalto
passaram cá os Romanos
com Templo esbelto e grandes planos.
Aqui estiveram Suevos e Visigodos,
para não falar de outros godos
e os Árabes que cá chegaram,
na sua conquista por fim,
o nome do burgo mudaram
passou a ser Xantarim.

Nos tempos da reconquista
foi do reino de Leão,
depois mudou de mão.
Nosso Afonso primeiro,
com Pedro Escuro, Mem Ramires
e outros bravos de então,
só tomou esta vila
pela porta da traição.

Na era de Afonso terceiro,
sangrou a hóstia consagrada,
esse milagre que aqui se deu
teve brado no mundo inteiro
e o Santíssimo se acolheu
à sua eterna morada.

D. Dinis aqui morreu.
Para cabeça de seus reinos
Afonso o quarto a escolheu.
E outros reis cá passaram,
até se gritou arraial
por Beatriz, rainha de Portugal.

Em novos tempos ousados,
os portugueses aos mares dados
terras estranhas foram buscar
na outra banda do mar.
Somos terra do Infante Santo,
de João de Santarém,
de Duarte Pacheco Pereira
de Estácio de Sá
só para lembrar um tanto
de quantos nasceram cá.
Tivemos Lopes de Castanheda
da gesta da Índia historiador
e sepultado está Cabral
do Brasil descobridor.

Esta cidade de lendas
tem alma de escritor,
ou não fosse "livro de pedra"
e até sonho de amor.
Garret, Herculano ou Guilherme d'Azevedo
todos se cá acolheram
e foram deixando segredos.

Se inspiramos saudades,
fomos sulcando o tempo na invenção
das liberdades.
Sá da Bandeira quebrou
as grilhetas dos escravos.
Salgueiro Maia comandou a revolução,
fazendo, em Abril, nascer cravos

Santarém, menina e moça,
cidade plena de encanto,
guardiã da nossa história
resguardada na memória
que se esconde a cada canto.

Miguel Raimundo
22/02/2013, 21h40
Santarém
Poema destinado ao III Encontro de Poetas Locais

segunda-feira, março 11, 2013

sonhos que crescem


os sonhos que crescem
são como árvores carregadas de frutos,
são quase crianças rompendo o ventre das mães,
são barcos que partem
e regressam ao cais.

os sonhos que crescem
são beijos roubados entre amantes,
são certezas de um horizonte maior,
são a esperança incontida de nada será como dantes.

os sonhos que crescem
estão sempre à espera de um sonho maior.


Santarém
11/03/2013, (21h45)

sábado, fevereiro 23, 2013

Sussurros dos pássaros


No entretempo sossegas o momento
escutando o chilrar dos pássaros.

Supões mistérios
no arrulhar das rolas,
sentes um mundo aos tombos
no lufa-lufa dos pombos,
pressentes segredos
no cantar do melro,
invade-te a alegria
de uma voz fugidia,
será a da cotovia?

Com um gestos suaves aproximas-te
do azul imperial do pavão,
afagas depois a simpática codorniz,
sem pejo nem perdão
imaginas jantar com aquela perdiz!

Entre arrufos e grasnidos
os patos aquáticos olham-te com desdém
as galhinas cumprimentam-te como convém
e no que sobra do entretempo
perdes-te teu olhar, nesse momento,
ouvindo sussuros entre faisões.

por Miguel Raimundo
08/02/2013 (15h15)
Póvoa da Isenta/Santarém

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Um futuro à beira Mar...



À beira mágoa fica o Mar
e esta vontade estranha de Portugal acontecer.
À beira abismo fica o Amor
e toda a história por suceder.

Somos o povo vagabundo
se a esta Europa aportámos
foi só para a fecundar, aqui não pertencemos
somos Taporbana, somos mundo!

Na esquina do tempo, fica o Mar
saber inventar a torna-viagem
é trazer a Paz ao mundo, é conquistar
o futuro sem promessas, nem miragens.


Miguel Raimundo
Foz do Arelho (25/08/2012, 20h00)

domingo, janeiro 06, 2013

Segredos do Gato

Gato que brincas na rua,
entre o vasto arvoredo,
que sina é a tua?
Qual é o teu medo?

Gato sem amo, sem dono,
corres no mundo
a qualquer momento,
saboreando o segundo
sem rota e sem tempo.
Gato pulgento
avaro e matreiro,
qual é teu segredo?

Sete vidas tem o gato
que brinca na rua
zombando do medo.

Sete versos tem o gato
que se esconde no poema
como nos arvoredos,
guardando em suas vidas
velhas sombras esquecidas
e tão-só meus egrégios segredos.

26/12/2012, (19h50)
Santarém

por Miguel Raimundo

quarta-feira, novembro 28, 2012

Viagens com Saramago


Olhar arguto perante o tempo,
soube narrar-nos memórias de um convento.
Prescutava na nossa cegueira branca,
raras achegas de lucidez.

Em blasfemos evangelhos
trouxe a lume novas verdades,
Em ano fatídico de Ricardo Reis,
de Pessoa inspirou saudades.

Com as prosas possíveis
ouviu um povo levantar-se do chão
nos caminhos da liberdade.

Numa mão cheia de sonhos
deixou-nos aqui aportados
na secular Jangada de Pedra
à espera de novas viagens.

11/10/2012, 23h55
por Miguel Raimundo

Poema lido na sessão de homenagem a José Saramago,
no dia em que faria 90 anos, 16/11/2012,
nos paços do concelho de Santarém

segunda-feira, outubro 22, 2012

Dias de sorte / Ventos de azar


Sente-se a chuva
que te marca a fronte,
sentes que tudo
ao teu redor
conspira para te derrubar,
... mas ainda assim resistes
à intempérie,
em dias que desejas
nem aqui estar.

Acordas
enleado em palmas de ouro,
rodeado de musas
cantado hinos de vitória,
nesses dias de glória
o tempo corre sem parar,
nem te os deixa saborear.

Há dias de sorte
e horas vagas em que
pareces não viver,
há ventos de azar
e tristezas por colher.
Neste caleidoscópio da existência
a vida é a surpresa intranquíla,
entre rumores de morte
e antigas promessas de amor.


02/02/2011 (0h35), Santarém
por Miguel Raimundo

Imagem: "Rosa dos Ventos" em 

quarta-feira, outubro 03, 2012

regresso à Praia Velha


Aqui aportado,
neste pinhal de histórias
encontrei lembranças queridas,
suadades velhas e outras
façanhas de que nem tinha memórias

à sombra destas árvores centenárias,
recordo reis e poetas,
com suas gestas e suas glórias.

Nestas falésias fomos crescendo
eu e o rapaz das memórias,
alguém partiu e ele ficou,
esperando o encanto de um regresso.
Sei-me outro nestes mares,
feito de outros sonhos e de outros amores,
sei-me outro neste areal,
criança que ainda nada à beira rio
ali bem ao pé da Praia Velha.


por Miguel Raimundo
25/08/2011, 18h45
São Pedro Moel

sexta-feira, setembro 28, 2012

Moíses das Vinganças


Num dia perdido, numa tarde ausente,
Moisés viu uma sarça ardente,
o fogo com ele falou
e a Árvore disse presente.

O fogo coisas de Deus narrou,
destrinçando o Ser do Nada,
a Árvore deu-lhe por armas
um cajado e a Palavra.

Moíses falou a seu povo
com tal cajado de esperança,
o caminho da liberdade
foi forjado nas vinganças.

Durante muitas noites
no Egito não se viveu,
entre as setes pragas dos céus
o filho do Faraó morreu.

O rei dos muitos deuses
abandonou-se à vontade
desse tal fogo ardente,
em busca de nova verdade.

A meio caminho já iam
Moisés, seu povo e um cajado sagrado
Faraó de ideias mudou
armando exército irado.

Dizem que o mar estremeceu,
ante a Palavra de Deus,
ficando vermelho do sangue
de quem inocente morreu.

Entre trovões e geada
Moisés subiu no monte
trazendo nova lei sagrada.
O povo claudicou na liberdade conquistada
adorou bezerro d'oiro,
esquecendo a Fé antiga, a verdade sagrada.
Moisés com seu cajado
trouxe nova tormenta
ao povo por deus amado.
Mil noites no deserto
mil dias de perdição
e diáspora eterna
longe da salvação.
Assim, Moíses que trouxe
nova aliança,
em arca de ouro forjado
foi ainda,
Mosés das vinganças,
de uma ira a
Deus consagrada.
 
por M'alak N'aura
07.2012

quarta-feira, setembro 26, 2012

A raiva que Deus me deu


A raiva que Deus me deu
é assassina
dá-me vontade de esganar,
de encher o mundo de quinina.

A raiva que Deus me deu é o dilúvio
sob a forma do fogo eterno,
mas sob a forma da poesia
esta raiva será alegria,
nas mãos de um povo novo.

A raiva que Deus me deu é o Diabo,
é um demónio pleno com a força dos séculos,
é um vento que se alevante para combater os homens.

A raiva que Deus me deu veio de Jesus,
na sua força brutal,
antes morrer por tua cruz.

A raiva que Deus me deu cresce-me no ventre,
faz-me doente, obriga-me a perorar ao relento.
Esta raiva animal é promessa
sagrada de um amanhã a cantar.


@ Raimundo Mazorro
11/12/2009

sábado, julho 07, 2012

o Fado dançou na rua


o Fado dançou na rua
num dia assim,
no meio da chuva muda,
e da desgraça, enfim.

o Fado cantou na esquina
de uma sorte incerta,
quando um povo inteiro
se levantou contra a morte certa.
o Fado saiu à rua
banhado de sangue
e na esquina do Tempo
lutou exangue.

o Fado cantou na rua
de cravo ao peito,
ao som da vontade inteira
de um povo feito.

num Maio limpo culpas
o Fado veio,
vingar a sina maldita 
dos ditadores.
nos olhos de cada um
trouxe uma esperança imensa
para além das tristezas
e dos traidores.

o Fado dançou da rua
num dia assim
como uma Mulher nua
que se vende, enfim.

no meio do Fado persiste
o futuro encoberto
por esta névoa imensa
que nos assombra, triste.

o Fado que veio da rua
chegará ao fim
como uma criança muda
que chora, enfim.

por Miguel Raimundo
23/06/2006, 3h30

segunda-feira, junho 11, 2012

Miragens de Luar


Que irmãos são estes,
que lhes conheço o linguajar?
Que gente é esta...
com franqueza no olhar?
Quem são estes mouros
aqui aportados,
com esperanças de vida,
com olhos de luar?

Que sonho é este de
paz prepétua entre mundos,
que me perturba e me faz suspirar?

Num jardim encantado, entre a terra e o mar,
o sol põe-se ao longe
levando consigo meu sonhar,
de concórdia entre os homens
e de miragens de luar.

Miguel Raimundo
?/03/2011, 22h??, Getafe

terça-feira, junho 05, 2012

Ideal das mãos livres


À luz de uma vela que se esgota
sentes que este é o tempo falado por Salomão,
de pegar em armas contra os tiranos
e ir construir novos homens, pela contínua evolução.

Não temes o sangue, temes só a morte vã de um teu irmão.
É o tempo de transformar em armas nossas palavras,
nossos gestos ou velhos abraços, lutando pelo Mundo Novo,
com voz de povo, com paz no coração...

é tempo de reinventar, fazer como no Islão.
Criar de mãos vazias nossa encantada revolução
é bem tempo de sonhar e, sobretudo, tempo de dizer: não!

O verbo é a nossa força, dos poucos soldados faremos multidão,
só podemos triunfar nesta luta sem idade,
por casa, por paz, por pão... e pelo ideal maior de liberdade.

por Miguel Raimundo


Santarém,22/12/2011 (19h45)


segunda-feira, abril 09, 2012

Saudação à Greve Geral

Camaradas unidos jamais seremos vencidos,
gritemos de novo a nossa oração,
em prol do presente e dos filhos que aqui estão,
cantemos de novo contra a opressão.

O caminho é tranquilo, a luta traz a solução
a greve é nossa arma e tem de geral
tem de ser sem tempo e de verdade nacional,
temos parar um momento, todos sem excepção, pensar que em cada cidadão

nós temos um irmão. Em cada trabalhador
há um desejo comum de uma vida melhor.
por isso faz greve: na vida árdua, no trabalho, na manifestação...

contesta a injustiça desta nossa condição.
Onde está a crise dos que nos roubam milhões à hora? Essa é questão brutal,
sem qualquer resposta, nem a das leis do Capital.


RM
22/03/2012, Santarém/Lisboa

sexta-feira, março 02, 2012

saudades do Ribatejo


Nestas ruas, nestas vielas
existe a sombra do que fui,
um ser antigo que procuro
na senda do meu sabor a terra.

Encanta-me esta Salvaterra,
será dos seus modos simples?
Misturo-me na singela sabedoria,
das ruas estreias.
Encanta-me esta Salvaterra,
será um fado dos magos das velhas lendas?
ou tão simples alento
destas estórias  que vivem, ainda, aqui com suas gentes?

Respiro neste além do Tejo
o mesmo ar bravio dos toiros,
me vejo correndo livre sob o mesmo sol

é a largueza da campina
junto ao rio  que me fascina
com feitiço das memórias.
Será pelo tamanho de uma alma
ou pela sinceridade de sua beleza
que se medem os homens?



por Miguel Raimundo
22/12/2011 (16h30)
Viagem Salvaterra de Magos/Santarém, Paul de Magos


Imagem:
A Lezíria do Tejo 
© Joaquim Leitão



sexta-feira, fevereiro 17, 2012

três quilos de erva boa com dose e meia de poesia.


a todos os injustiçados apodados de "correios de droga"

Eras Sara e sorte, alegria de traquinas,
e por nome de pai te chamaram Norte.

Do tempo dos sorrisos,
na caixa do fazer de conta,
ninguém se lembra ou quer pensar,
são os fariseus do prozac
que a primeira pedra te vão atirar.

Deixaste teu mister,
de fazer rir e de querer sonhar,
por outros velhos negócios, talvez,
fosse por sorte ou por azar.

Prendem-te em terra estranha,
com o crime de trazer luar,
aceitas tuas algemas
e ninguém te as sabe protestar!

Pior que ópio da papoila é a doença alma!
A droga da alegria, a verde maconha dos montes,
vale mais que qualquer "tia"
sem verdade, sem horizontes.

No ópio de cada dia, este povo insano,
"curte suas mocas", entre as "trocas e baldrocas"
dos que vendem a alma ao capital,
salvemos a liberdade: fumemos pela verdade!


RM
Santarém, 17/02/2012, 7h12