domingo, junho 10, 2018

a Deus, "Pai-nosso"


a d. António Francisco Marques 1927-1997)
I Bispo de Santarém

por mão de minha mãe,
vi o milagre em Vossa luz,
esse resplandecer eu recussei,
por vergonha, por lucidez,
por medo talvez....
de ser a verdade Vossos castigos,
Vossa férrea lei.

lia os velhos escribas com sofreguidão,
(a mente, o juízo e a paz toldei,
acometido por todo o mal em convulsão
como uma voz dos tempos me esfaqueado
em ventos mil, em sede vil.)
procrastinei a vida no "livro da revelação",
esqueci a verdade simples de um "sagrado coração".

no verso desta dúvida sacrifico o meu perdão,
(a Vós pelos séculos de escravidão!),
pois se a fé apenas não me salva
ainda penarei por minhas falhas em boas obras,
assim, de tentação em tentação escolho o pecado:
como se cumprisse fatal destino aziago.

E agora? Clamo sempre a Vós,
confessando no escuro a minha dor,
as minhas costas voltadas ao amor,
Clamamos a Vós, quase apenas na aflição
e ao Filho crucificado pelo Pai-Nosso
rosto de nossa dor, nessa secular paixão.
esquece-mo-Vos nas horas certas de "dar e ficar contente". 
procuro, na pobreza deste verso,
renovado, singelo e terno baptismo,
almejando a amargurada, mas plena, comunhão.

Miguel Raimundo 
Natal/2017, Santarém

[Imagem "Cristo negro", pau preto(?) Brasil (?),  foto do autor]




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