
Nesta placidez de encantar
sobrevive o ser antigo.
- Bom dia!
num gesto quotidiano
de simpatia sincera,
o povo deste outro mundo
quer fintar o destino.
À sombra destas ruínas
e muralhas embruxadas
ouvem-se cantar as colinas
e as gentes deste Alentejo,
numa toada tranquila
próprio do canto
tão puro,
mas tão esquecido
nas brechas deste tempo.
Ao longe, para além daquele monte,
quase atrás do horizonte,
fica o mundo dos outros
em frenéticos desencontros,
sem saber e sem viver
a verdade desta calma,
sem sequer compreender
como se olha o Tempo nos olhos
com um sorriso matreiro.
À sombra destas muralhas
e ruínas encantadas
ouvem-se cantar as colinas
e o povo deste Alentejo.
12/03/2008, Beja
© Miguel Raimundo
Imagem:
Fotografia a partir do Castelo de Serpa,
© José R. Noras, 2008
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