domingo, março 29, 2015

Cinco promessas de Império

No chão da fogueira
sete bruxas, a trinta e três vozes,
gritaram: - Morte! Pelas chamas da ira,
pelo poder da vingança!
Jura primeira.

Duas ciganas e um velho jucundo,
nos areais de Belém, agoiram ao
veleiro, uma sina malvada
que ainda aqui vem!
Jura segunda.

Um deus morto e traiçoeiro,
quis para si um reino inteiro
(o de Seu Filho.) Mandou padre seu
para o deserto e nem lá morreu...
Promessa terceira.

Dois monges loucos, mais seu Francisco
juraram à flor de Rosa
seus intentos. Só um Mundo
tem mais idades do que os Ventos!
Promessa quarta.

Um jovem virgem morre desterrado,
dois reis magos o esfaquearam,
Últimos e Imperadores o imitaram.
(Ele nem foi enterrado), mas O Imã permanecerá oculto.
Promessa divina.

Na praia e no céu,
nos telhados dos mundos,
um padre ao fundo da sala
quebrou as grilhetas e viu o Futuro.
Promessa quinta.

Oceanos de segredos,
contados sem medo, sem fio e sem lira.
Por meio de sorrisos de mortos sortidos
Nefastas verdades, com fogo no alto, trouxeram ao mundo.
Promessas de Sorte, promessas da Morte!

Um poeta mitómano voltou à Pátria,
dois doidos juraram sua raiva vã.
O pintor morreu de morte torcida,
Portugal renasceu com cravos na mão.
Promessa esquecida.

Guerras fatais e danças no Sol
deuses zangados quiseram criar.
Profetas hebreus, de mortes só suas,
gritaram: - Perdão!
Palavras de Deus e da Salvação.

Islão é a busca que santo cristão
sonhou. Na cela do quarto
uma Rosa lhe sussurrou:
- Ainda há-de vir a idade da Paz.
Juras de Deus.

2 comentários:

Bruno Julião disse...

gosto muito, pá. continua a escrever, também vais ser reconhecido por este trabalho.

José Raimundo Noras disse...

Grato pela crítica e pelo incentivo Acho que foi a segunda deste blogue... Nem tinha porque não vi o alerta do comentário na altura devida. Porque onde andas nestes dias? Vê nos encontramos por aí um dia destes. Abraço.
MR