sábado, setembro 21, 2019

poema de me (ch)amar Fernando


só de me lembrar de ti,
sei que não sou eu.
sonho de todos nós,
permaneço aqui, à espera.

quando voltas?
eu podia amar-te, como António,
podia ser a alma plena,
pequena, com toda calma,
se não houvesse outros futuros.

ainda ontem (ou seria há sete anos?),
sonhei com nós os cinco
(o Botto não apareceu...,
o Alexandre tinha mais que procurar,
o Mário já tinha morrido,
faltavam-nos mulheres,
sempre te fenecem as mulheres,
nos planos infinitos).

ficámos ali tranquilos,
no cais do comboio,
sem espera, sem nevoeiro.
na outra banda do Ser
sentindo como o universo vasto
fica assim aninhado
num ponto qualquer.
«quando o mar se cumprir
e o sol acordar.»
(disseste tu, ou não?
por certo não foi o Alberto.)
dei-te um beijo demorado
e segui o meu caminho
para a outra banda do agora.


Miguel Raimundo
02/01/2015 (16h04)


Foto: comboio na Estação de Santarém
Wikepédia, Wikimedia Commons

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