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sábado, setembro 21, 2019

poema de me (ch)amar Fernando


só de me lembrar de ti,
sei que não sou eu.
sonho de todos nós,
permaneço aqui, à espera.

quando voltas?
eu podia amar-te, como António,
podia ser a alma plena,
pequena, com toda calma,
se não houvesse outros futuros.

ainda ontem (ou seria há sete anos?),
sonhei com nós os cinco
(o Botto não apareceu...,
o Alexandre tinha mais que procurar,
o Mário já tinha morrido,
faltavam-nos mulheres,
sempre te fenecem as mulheres,
nos planos infinitos).

ficámos ali tranquilos,
no cais do comboio,
sem espera, sem nevoeiro.
na outra banda do Ser
sentindo como o universo vasto
fica assim aninhado
num ponto qualquer.
«quando o mar se cumprir
e o sol acordar.»
(disseste tu, ou não?
por certo não foi o Alberto.)
dei-te um beijo demorado
e segui o meu caminho
para a outra banda do agora.


Miguel Raimundo
02/01/2015 (16h04)


Foto: comboio na Estação de Santarém
Wikepédia, Wikimedia Commons

domingo, dezembro 03, 2017

Fábulas de Embalar


I (fábula)
Nas sombras,
por entre segredos,
escondem-se
bruxas e duendes.

Na cadência dos dias,
nas ausências do tempo
abundam fadas e moiras por encantar.
Nos sonhos de crianças
vivem velhos faunos e centauros,
de outras lendas e terras.

Nestes versos repousam
memórias de fábulas adormecidas
à espera de alguém
que acorde e as comece a contar.


II (encanto)

Numa floresta encantada,
entre duendes e fadas,
vive um pastor de memórias.

Guardador de velhas estórias,
ele apascenta-as,
como se ovelhas fossem
e o seu rebanho de lendas
vive, revive e morre
nas almas dos narradores.


À noite, junto à fogueira,
o velho pastor empresta o cajado
a uma plêiade de contadores,
desde a criança travessa
ao sisudo escritor.

Na frondosa floresta,
sobra só uma estória por contar,
a do pastor de fábulas
e de sonhos cor de mar.


22/03/2007 (20h40), Póvoa da Isenta/Santarém
por © Miguel Raimundo

Imagem pormenor de:
Vista do Tibre e da Campania Roman, a partir do Monte Mario
© William Linton, óleo sobre tela 1829