sexta-feira, agosto 08, 2025

inveja

 
desejo absorto nesse teu seio,

suspirando por ti, por outro meio.

viver dos outros a vacuidade,

a beleza, a fortuna, a sageza: tudo odeio.

 

este mal de inveja alheio,

doença que alastra ao mundo cheio,

num terror secreto e sem idade:

um esgar de guerra, um olhar feio.

 

é tua ou minha a propriedade?

pois o “reino do ter” é vosso esteio.

a vida e o ser podem ser freio,

 

desse luxo perene da vaidade,

sem dor, sem morte ou outro anseio

da sorte dos outros que te não proveio.   

MR

Balancho/Santarém, 28/06/2015(23h45)






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