Morreram duzentos e tal de avião,
só sete ou mais do "curdistão",
diz-se: "dez eram portugueses",
outros carneiros, mães e filhos de más rezes.
Somos aqui a clamar apenas dos que
choram,
como se a dor e a morte na China,
fossem menos más que a do zé da esquina.
Na esquina morre o zé, a maria, o abrunhosa,
morre a tua tia e a grávida da murtuosa,
E já não há anjos, nem gritos, não há padre
nem alquimia, nem missa do sétimo dia,
há todo um coro de aflitos:
“hoje morre-se mais do que se morria!!”
Ah! Se soubéssemos quantos morreram no bantustão,
nas esquinas da guerra, nas sombras da traição,
quantos especialistas, quantas parangonas,
a cantar os vivos e os mortos de Alfarrobeira,
três dias deixados no campo a ser comidos pelo cão.
Gaza não mora aqui, nem sequer o Curdistão,
tudo é jogo de mais bandeiras, tudo vale outro cifrão.
Venham anjos dos céu gritar ao infinito,
de asas brancas, de rosto roxo,
de olhar azul maldito,
em cada alma bate um coração,
aplaquem a ira, sosseguem a guerra,
nem ouço quem diz: “vai mas é para tua terra”,
“venham anjas do Senhor
levem as suas almas ao paraíso”
MR, 12/06/2025 12h-18h80

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