a A. B.
Vejo
em ti outras histórias
por
contar.
Agora
são velhas memórias,
doutro
Eu num tempo
que
já foi.
Eterno
adolescente
à
procura daquele
mágico,
alquímico
e
filosofal momento de
oferecer
uma flor,
de
roubar um beijo…
Tu
não és, nem serás
a
minha ilusão infantil,
mas
eis que aqui,
no
seio do verso,
reencontro-me
comigo
através de ti.
Quem
usa quem, afinal?
O
poeta ou a musa?
A
ideia ou o animal?
Depois
das máscaras e dos jogos,
depois
desses olhares nocturnos,
que
restará?
O
futuro de uma estória
é
sempre um sorriso sedutor.
Coimbra (Sé Velha), 27 de Julho de 2006, 20h39
© Miguel Raimundo
Imagem:
Safo (c. 630 a 570 a. C.)
representada em fresco de Pompeia, c. 65 d.C.
